Sorriso sem gato

Cheguei a casa com um calafrio na espinha e uma imagem fixa no pensamento: o “sorriso sem gato”.

Exactamente como na descrição de Carroll, o gato começou a desaparecer pela cauda (faz já alguns anos) e hoje vi claramente que o sorriso será a última coisa a desaparecer. Em verdade, percebo agora que é o sorriso, o hediondo sorriso, que está a devorar o resto do corpo do gato.

Ver um gato a ser devorado pelo sorriso! Encarar um tal horror, com a consciência de não conseguir deter o processo, torna-o ainda mais abominável…

Pior: vendo bem, sorrisos sem gatos por todo o lado. Com dentes de ouro que brilham mecanicamente. Estou cercada deles. Quem é que ainda possui um corpo e o que ele pode?

No entanto, é tudo banal. E tão banalizado se torna que, em breve, já nenhuma reacção me arrancará.

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