Isto não são árvores

Morava num jardim à beira-rio plantado. Morava no bairro com a arborização mais abundante e bela da cidade. Recentemente, quando a Junta foi ocupada por uma nova equipa de autarcas e estes prometeram a “reabilitação” dos espaços verdes, previ o pior e eis que aconteceu: o arvoredo foi massivamente assassinado por cortes rentes e podas drásticas. Em simultâneo, a fracção da conta da água que o residente paga ao Estado para regar os parques duplicou.

Foram-se as árvores, ficaram só umas unhas roídas fingindo ser algo que não são: “Natureza” (com muitas aspas cortantes). É o que dá colocar-se, à frente do Pelouro do Ambiente, roedores, ou sem formação adequada, ou legitimados por uma formação retrógrada na área. Eles, sim, é que deviam ser “podados” desses lugares. As árvores não precisam de ser “reabilitadas”, os ignorantes é que precisam de ser reabilitados. O maior cepo aqui é humano e não vegetal.

Consequências da poda:

a) Mais pólen no ar
Uma árvore submetida a corte agressivo reage com mais floração e divisão de ramos (ainda que enfraquecidos), produzindo mais pólen e afectando ainda mais os que a ele são alérgicos.

b) Enfraquecimento
A remoção de ramos cobertos de folhagem ou da copa completa da árvore (poda drástica) reduz a capacidade de fotossíntese e a captação de nutrientes pelo vegetal, além de o desprover das reservas energéticas armazenadas nas suas células. Fica mais vulnerável a doenças e pragas.

c) Apodrecimento
O corte de ramos de grande espessura facilita a penetração de fungos e insectos, e a instalação de necroses profundas.

d) Deformidade
Árvores mutiladas são inestéticas, desproporcionadas (com múltiplos brotos enfraquecidos a sair dos cotos cortados), sem a beleza e naturalidade características da espécie.

e) Queda
Durante o crescimento, a árvore posiciona adaptativamente os ramos de acordo com os ventos que se fazem sentir naquele local, para se manter equilibrada. Cortar ramos principais interfere com o sistema de equilíbrio de forças que a própria árvore construiu, aumentando o risco de queda.

f) Morte
Uma árvore, já fraca e doente, repetidamente podada, tende para a morte, com toda a despesa de substituição dos arvoredos que isso implica para as autarquias, pago, é claro, pelo contribuinte.

g) Aumento da poluição
Arvoredos reduzidos, mais poluição. São as folhas que oxigenam o ar e consomem o dióxido de carbono.

h) Desertificação do solo e aquecimento da atmosfera
Menos árvores saudáveis, no seu pleno funcionamento, significa menos humidade retida nos solos e menos dióxido de carbono atmosférico absorvido, logo, ambientes mais sufocantes e mais propícios a fogos (a estupidez que é “limpar terrenos” cortando árvores para prevenir incêndios!). Ponham-se ao sol do meio-dia numa floresta húmida e num deserto sem árvores, aonde é que tudo “assa” mais rapidamente?

Poda drástica é proibida e gera multa

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