Lavagem cerebral

O que há a censurar a uma lavagem cerebral é que ela não seja suficientemente eficaz, e constatarmos, não sem um certo repúdio, que o cérebro que foi alvo da lavagem ainda permanece com mancha – o que Valéry chamava de “idée fixe”.

O difícil que é passar através dos desfiladeiros secos e empedernidos que existem em certos cérebros… São cabeças duras como rochas, produzidas pela longa sedimentação de clichés e preconceitos que ardentemente desejamos esboroar só para que algum ar circule.

Porcaria de ciência cujo progresso se faz à custa de adquirir mais manchas, dia após dia, em vez de se proceder como Kierkegaard: «As ideias fixas (…) o melhor remédio é pisá-las». Justamente, para as desfazer e reduzir a pó.

Acordar no dia seguinte com uma ideia fixa a menos – só este pode ser o nosso método, se a meta for, de todo, circular…