Uma canção que não pára

O oitavo sorriso

Como toda a gente sabe,
há várias raças de sorriso:

– O sorriso do abutre
que espera, paciente;

– O sorriso do camelo
que marcha lentamente;

– O sorriso da hiena,
mais riso que sorriso,
tão riso sem sorriso,
que faz pena;

– Há o sorriso do gato,
de expressão tão indiferente,
que parece rir da gente;

– E há o sorriso do cão,
que é só um lamber de mão;

– E há o sorriso da raposa,
que não diz sim nem diz não,
e ninguém sabe onde pousa;

– E o sorriso do costume,
que é sorriso ou é queixume;

– Há ainda o teu sorriso,
que com nada se parece,
que é um espelho puro e liso
de uma alma que se oferece,
que é como a água do mar
numa noite de luar,
que é uma estrela cintilante,
que é chamamento distante,
que é despertar de papoila,
que é cantar de seara,
que é um refrão melodioso
de uma canção que não pára,
que é carícia de vento,
que é nostálgico lamento,
que é grito de alegria,
que é dor de natureza,
que é um olhar de criança,
que é o desespero da esperança,
que é toda a minha riqueza,
que é toda a minha tristeza…

– Perspectiva, álbum “Rei Posto, Rei Morto” (1977). Letra: José Beiramar. Direcção de orquestra: Tó Pinheiro da Silva.

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