Só porque o verde me tolda a vista

Conhecia o poema de Pessoa sobre o verde, mas ainda não o havia experimentado.

Hoje compreendi-o perfeitamente, quando, à vinda do campo exterior numa tarde deveras ensolarada, entrei em casa e, em vez do normal efeito de encandeamento que se tem ao transitar para uma sala escura, vi tudo sob um verde intenso, como através de um filtro especial de uma máquina fotográfica.

E, portanto, como se não bastasse a acuidade acroamática, “cenas-fulgor”…

Torno-me criação contra vontade (ou, pelo menos, independentemente dela)…

 

Porque é que as cores têm força
De persistir na nossa alma,
Como fantasmas?
Há uma cor que me persegue, e hora a hora
A sua cor se torna a cor que é a minha alma. (…)

A náusea de todo o universo na garganta
Só por causa do verde,
Só porque o verde me tolda a vista,
E a própria luz é verde, um relâmpago parado de verde… (…)

Quanto pode um pedaço sobreposto
Pela luz à matéria escura… (…)

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