The natural harmony willed by the melody

«Bird Song – Paul Dukas used to say, ‘Listen to the birds. They are great masters.’ I confess not to having awaited this advice to admire, analyse, and notate, some songs of birds. Through the mixture of their songs, birds make extremely refined jumbles of rhythmic pedals. Their melodic contours, those of merles especially, surpass the human imagination in fantasy. Since they use untempered intervals smaller then the semitone, and as it is ridiculous servilely to copy nature, we are going to give some examples of melodies of the ‘bird’ genre which will be transcription, transformation, and interpretation of the volleys and trills of our little servants of immaterial joy.» (p. 34)

«Paul Dukas often spoke of effects of resonance. Effects of pure fantasy, similar by a very distant analogy to the phenomenon of natural resonance. One will find remarkable ones, mingled with learned variations of rhythm, in the Danses rituelles and especially in the Mana of André Jolivet.» (p. 51)

«All these investigations ought not make us forget the natural harmony: the true, unique, voluptuously pretty by essence, willed by the melody, issued from it, pre-existent in it, having always been enclosed in it, awaiting manifestation. My secret desire of enchanted gorgeousness in harmony has pushed me toward those swords of fire, those sudden stars, those flows of blue-orange lavas, those planets of turquoise, those violet shades, those garnets of long-haired arborescence, those wheelings of sound and colors in a jumble of rainbows of which I have spoken with love in the Preface of my Quatuor pour la fin du Temps; such a gushing out of chords should necessarily be filtered; it is the sacred instinct of the natural and true harmony which, alone, can so charge itself». (p.52)

Olivier Messiaen, “Technique of My Musical Language”.


Uma canção que não pára

O oitavo sorriso

Como toda a gente sabe,
há várias raças de sorriso:

– O sorriso do abutre
que espera, paciente;

– O sorriso do camelo
que marcha lentamente;

– O sorriso da hiena,
mais riso que sorriso,
tão riso sem sorriso,
que faz pena;

– Há o sorriso do gato,
de expressão tão indiferente,
que parece rir da gente;

– E há o sorriso do cão,
que é só um lamber de mão;

– E há o sorriso da raposa,
que não diz sim nem diz não,
e ninguém sabe onde pousa;

– E o sorriso do costume,
que é sorriso ou é queixume;

– Há ainda o teu sorriso,
que com nada se parece,
que é um espelho puro e liso
de uma alma que se oferece,
que é como a água do mar
numa noite de luar,
que é uma estrela cintilante,
que é chamamento distante,
que é despertar de papoila,
que é cantar de seara,
que é um refrão melodioso
de uma canção que não pára,
que é carícia de vento,
que é nostálgico lamento,
que é grito de alegria,
que é dor de natureza,
que é um olhar de criança,
que é o desespero da esperança,
que é toda a minha riqueza,
que é toda a minha tristeza…

– Perspectiva, álbum “Rei Posto, Rei Morto” (1977). Letra: José Beiramar. Direcção de orquestra: Tó Pinheiro da Silva.

La Augusta Emperatriz del canto

“Sonidos de la Amazonía” in “Yma Sumac: La Castafiore Inca” (1993), Jean-Baptiste Erreca.

“Chuncho” [“Mocho”] in “Música de Siempre”(1956).

“Ataypura” (in “El secreto de los incas”, 1954), Yma Sumac’s vocal range demonstrated live.

“Wak’al” [“Lamento”] in “Yma Sumac & Moises Vivanco: Inca Taqui” (1953).

“Vírgenes del Sol” (1944).

– Yma Sumac (1922-2008), nombre artístico de Zoila Augusta Emperatriz Chávarri del Castillo.