Man, mouvement, music, Mozart

“M is for Man, Music and Mozart” (1991) by Peter Greenaway.
Homenaje a Mozart en el 200 aniversario de su muerte.
Música: Louis Andriessen. Coreografía: Ben Craft. Intérpretes: Astrid Seriese, Ben Craft, Kate Gowar.

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Nymba Ntobhu


“Nymba Ntobhu” [“House of women”], Maweni Farm Documentaries, Mgongowazi project, Kiagata village, Musoma, Tanzania, 2004.

[26:00]

«As men, we must treat wives so well that our daughters don’t fear to get married [choosing “Nymba Ntobhu”, instead]. When you marry a woman, she is not a donkey to be beaten.»

I am myself a machine

Quem suponha que o comunismo e o capitalismo são opostos deveria ver este filme. Tão claro desde o início. O mesmo desejo: de enriquecimento monetário, de exploração agrícola, de sujeição animal, de comodismo, de mecanização, de poluição… Se há diferença, ela reside somente no número de tiranos chamados a desempenhar a função: no capitalismo de elite, uma minoria; mas no capitalismo de comuna, são mais do que os 100 milhões do filme… O que corta a vida, a lâmina (seja de foice manual, seja de gadanheira mecânica) ocupa uma longa sequência (aos 01:11:00), filmada em grande plano como a protagonista principal… “A terra, a quem a trabalha“. “O trabalho liberta”. Os dois extremos rezando ao mesmo ídolo: o Tripalium. Uma história de autómatos: os artificiais em detrimento da Máquina da Natureza.


“Old and New” (1929) by Sergei Eisenstein.

[01:02:50]

«I am myself a machine!»

Silvestre


“Silvestre” (1981), João César Monteiro.

«- Dai-me armas e cavalos,
As guerras p’ra mim serão.

– Tendes cabelos compridos,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Com tesoiras de talhar,
Cortados rentes serão.

– Tendes olhar acanhado,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Quando eu esteja com homens,
Não porei olhos no chão.

– Tendes o rosto mui alvo,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Nos três dias de caminho,
Estes sóis lo queimarão.

– Tendes os ombros erguidos,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Sejam as armas pesadas,
Que os ombros descerão.

– Tendes os peitos mui altos,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Encolherei os meus peitos
Dentro do meu coração.

– Tendes as mãos mui mimosas,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Lá virá vento e chuva,
Qu’ elas se calejarão.

– Tendes largos os quadris,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Vão debaixo dum saiote,
Homens nunca los verão.

– Tendes os pés pequeninos,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Metê-los-ei numas botas,
Nunca delas sairão.

– Tereis medo nas batalhas,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Eu saberei ser um homem
Com a minha lança na mão.

– Tomareis por lá amores,
Irmãs, conhecer-te-ão.

– Os que me falem de amores,
Bem caro lo pagarão.

– Tendes nome de mulher,
Irmã, conhecer-te-ão.

– Eu me chamarei Silvestre,
Por homem me tomarão.
Venham armas e cavalos,
As guerras p’ra mim serão.»

– Fala de Sílvia/Silvestre, adaptação de “A donzela que vai à guerra” (poema medieval) por João César Monteiro.