A caixa de ressonância de Noé

A meio de Agosto, a ressonância era forte o suficiente para permitir uma antecipação: vem aí… Nos dias seguintes, soube-se pelas notícias que Sobral de Monte Agraço tremera (17/08, 4.3). Face ao histórico anterior, era para desconfiar: demasiado próximo no tempo e demasiado reduzido no grau para se ter originado a partir de um coro tão insistente e persistente como o recebido. No entanto, passado um mês, a atenção mediática vira-se para o México (19/09, 7.1). E o acontecimento deste, sim, entrava no padrão de antecedência e de magnitude.

A lenda conta que a arca de Noé transportava animais. É tentador fazer recobrir o conceito de “animal” por ídolos específicos, que a civilização produziu e reproduziu como uma ciência e como uma religião. Mas, segundo outra tentativa, porventura ainda por registar, a arca de Noé transportava sons vivos, naturalmente aos pares, porque, a cada som originado num epicentro interno da grande caixa de madeira respondia o eco correspondente, quando a onda galopante embatia nas paredes.

E eles aí se moviam, os sons, os gritos, os lamentos, enformando a calda quente da grande fábrica de sabão, e havia sempre um Grito na origem de todos os acontecimentos históricos, tal como nas revoluções da América do Sul (“Grito de Yara”, “Grito de Baire”, “Grito do Ipiranga”, etc.).

E talvez Noé, como Beethoven já surdo, nem precisasse de ouvir música mecanicamente produzida por instrumentos, para compor uma expressão sonora, pois possuía (ou era possuído por?) toda uma terrível Ópera a atravessá-lo pelos poros, ad infinitum (ainda que intermitente e finitamente sensível)…

E esses “animais” só saem da Arca já mortos, sempre já mortos, como as células mortas que se acumulam à superfície da camada externa da pele, onde formam erupções cutâneas, eczemas e acne. Por vezes, uns dedos de pianista a percorrem e espremem (exprimem?) em explosões de pus…

Advertisements

The floating step

The floating step was invented by Nadezhda Nadezhdina (1908-1979), the founder of Beryozka (“Little Birch Tree”) Ensemble in 1948, and became a part of their round dances. Obviously the effect of the dancers moving on their toes, coupled with the long dresses, makes it look like the all-female troupe is gliding across the floor, frictionless. To achieve this effect, the dancers are bouncing from toe to toe inside of their pointe shoes. The choreographic troupe has been to over 80 countries and “covered over 47,000 dancing kilometers, through their signature step”. The circumference of Earth, for reference, is 40,075 km (or about 24,901 miles).

Salsichório global

[Certa ciência dedica-se a encher salsichas… mas com patente! Ah, as altas patentes: General, Major… e João Salsichão! “Receita pobre para produzir um monstro”. É preciso é encher a tripa de massa – e que alguém a pague! O Marketing encarregar-se-á de rotular de daninho e rudimentar o que é gratuito e espontâneo: a abundância. Ao fim e ao cabo, todas as espécies reproduzidas em cativeiro “assemelham-se cada vez mais a porcos” (inclusive os próprios porcos), e não só os peixes, as uvas, os caracóis a ração… Os médicos dizem que o intestino é “o segundo cérebro”. Então, de igual modo, o cérebro será o segundo intestino? Mente intestinal. Ditado grego: “O peixe, é pela cabeça que começa a feder” (a ranço). Talvez, por isso, o primeiro órgão a extrair durante a mumificação egípcia era a mioleira. Saía toda pelo nariz: “o possível, senão sufoco!”. Era uma piada filosófica (humor negro…).]

Tough head, fragile tail

«Prince Rupert’s drops are relatively simple to make; they’re little more than molten glass dropped into cold water, creating a solid blob with a long, thin tail.

Smacking the fat end with a hammer, pressing it with up to 20 tons of force, or even shooting it with a gun won’t do it a lot of damage.

To break it, however, you only need to tap its tail, which will cause the entire object to disintegrate into a shower of tiny shards.

There aren’t any records on the drops’ origins, but sometime around 1660 Prince Rupert of the Rhine reportedly gave a number of ‘glass bubbles’ to King Charles II of England as gifts, who passed them on to the Royal Society of London to conduct a few studies of their own.

The drops’ remarkable properties were put down to the rapid cooling of the outer surface of the glass, forming a hard shell that allowed the insides to cool and then contract a little slower.

It was this difference in layers – the ‘squeezing’ (or compressive forces) of the outer layer and the ‘pulling’ (or tensile forces) of the core – that was thought to explain both its toughness and fragile tail.»

Source