O romantismo do 25 de Abril

Na versão romântica, a data do 25 de Abril de 1974 representa a luta do povo pela libertação da ditadura.

Na realidade, o acontecimento foi desencadeado pela reunião de pressões que tiveram lugar noutros “três teatros” (como Marcello Caetano nota):
– as “operações militares” comandadas por generais cansados da guerra colonial e com aspirações a tomar o poder político, à força de uma revolução ou golpe de Estado;
– a “frente internacional” encabeçada pelas Nações Unidas que pressionava Portugal para entregar a independência às colónias;
– a “frente interna metropolitana”, cuja elite, após a morte de Salazar, se cindiu fortemente entre ultra-conservadores direitistas e liberais esquerdistas, que rivalizavam pela sucessão.

A uma elite, sucedeu-se outra elite. (Como quando o cinema mudo passou a sonoro e mudaram de estrelas).

O povo andou a reboque, aplaudiu de fora a aparente novidade e a palhaçada continuou em palco, desta vez, com cravos na lapela, segundo as últimas tendências da moda.

Estamos melhor numas coisas, pior noutras, como em qualquer estádio de civilização.

Mas sempre paus-mandados. Liberdade, só em sonhos…

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