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Inquérito aos alunos

12 Novembro 2009

A propósito de um tema do programa, sondei as opiniões numa turma onde as idades rondam os doze/treze anos, propondo-lhes as seguintes imagens e tendo o cuidado de não os influenciar, pois, por norma, eles tendem a responder aquilo que julgam que o professor quer ouvir:

Industrializacao

Questões:

1) Qual o cenário mais evoluído? Porquê?

2) Em qual gostarias de viver? Porquê?

 

Resultados:

Nas questões 1 e 2, ninguém indicou a imagem do meio. Houve unanimidade em rejeitar o “futurismo” e as fumarolas da Revolução Industrial.

À questão 1, responderam TODOS, invariavelmente, que era a última imagem. A maioria justificou o que considerava mais evoluído, fazendo alusão aos prédios altos, centros comerciais e novas tecnologias (Internet, etc.).

Quanto à questão 2, as opiniões dividiram-se: 64% escolheria viver no primeiro cenário, 36% preferiria o terceiro. Os primeiros referiram, na generalidade, o facto de ser um ambiente mais saudável, mais calmo e com mais espaço. Os últimos, para se justificarem, repetiram as ideias já mencionadas na questão 1.

 

Análise:

O facto de fecharem cada vez mais fábricas não é então expressão de uma vontade geral mais ou menos inconsciente – rejeição do primitivismo da Revolução Industrial – e a transição para um outro ciclo?

Prédios altos e centros comerciais é sinónimo de evolução?! É caso para perguntar: aviários a abarrotar de galinhas a cacarejar em cubículos exíguos é um milagre da evolução? E porque é que raio não somos capazes de conceber a diversidade dos processos biológicos e minerais da Natureza como algo muito mais evoluído do que qualquer produto ou procedimento da humanização? Interfere com o nosso ego?

Os resultados da questão 2 evidenciam duas frentes de combate no seio da população, supondo que os meus alunos sejam uma amostra representativa: os amantes de espaço e de calma versus os amantes da fricção e da hiper-conectividade constantes. Dois perfis muito distintos: uns, Centauros; os outros, Abelhas-Soldado. Salvo algum enviesamento, os primeiros ainda estão em maioria nestas idades. As crianças ainda amam a Mãe-Natureza. Não há outra.